quinta-feira, 10 de março de 2022

Formação das rochas sedimentares

 Rochas Sedimentares


As rochas sedimentares ocupam 75% da superfície da Terra e apenas 5% do seu volume.

Formação das rochas sedimentares

Envolve essencialmente os seguintes processos:

  • A sedimentogénese - Meteorização, erosão e transporte.
  • A diagénese - Compactação, cimentação (e recristalização).

Meteorização

Quando as condições do ambiente físico-químico se alteram para uma determinada rocha, ou seja, quando ela migra para um ambiente diferente daquele que a originou, então encontra-se em desequilíbrio. Essa rocha sofrerá meteorização, originando novos minerais, minerais de neoformação. Estes minerais são mais estáveis para as novas condições de ambiente físico-químico em que a rocha se encontra.

Meteorização Física

Consiste na desagregação da rocha em fragmentos cada vez mais pequenos, que fazem aumentar a superfície de exposição da rocha aos vários agentes de meteorização.

Exemplos
  • variações da temperatura;
  • formação de cristais nos poros das rochas;
  • efeito do gelo;
  • ação dos seres vivos;
  • ação mecânica das ondas;
  • ação mecânica da água (chaminés de fada);
  • ação mecânica do vento (blocos pedunculados);
  • descompressão dos maciços rochosos.


Na imagem verificam-se diaclases na Serra d'Arga.
A rede de diaclases aumenta a superfície da rocha exposta aos agentes de meteorização e erosão.
Deste modo, os minerais do granito vão perdendo coesão e são removidos pelas águas de escorrência, verificando-se um fenómeno de arenização rápido.


Na fotografia, as raízes das plantas vão-se desenvolvendo nas fendas das rochas levando à sua desagregação.




Meteorização Química

Alteração química de certos minerais, que se transformam noutros mais estáveis nas novas condições ambientais, os minerais de neoformação.

Os principais agentes meteorização química são:
  • água, com diferentes substâncias dissolvidas (por exemplo CO2);
  • os gases atmosféricos (O2 e CO2);
  • as substâncias produzidas pelos seres vivos ( as fezes das aves);
  • clima que influencia a velocidade das reacções (por exemplo quanto mais quente e chuvosa for uma região, maior será a velocidade de meteorização).


Reações de dissolução

água possui um enorme poder de dissolução (é um solvente universal) devido à polaridade das suas moléculas.

A halite e o gesso são minerai solúveis na água.

Vídeo
http://www.youtube.com/watch?v=xdedxfhcpWo

Reações de carbonatação

A carbonatação corresponde à dissolução do calcário.

Apesar de muitos minerais não serem solúveis em água pura, o mesmo não se verifica quando ela se encontra acidificada devido ao CO2 atmosférico.

Deste modo, a água reage com o dióxido de carbono originando ácido carbónico.

As rochas carbonatadas contém calcite (carbonato de cálcio - CaCO3) que é insolúvel em água pura. Mas, se a água estiver ácida devido à presença de CO2, então os calcários são alterados.

A carbonatação (meteorização química dos calcários) é facilitada pelas redes de diáclases (fendas).

H2O + CO2     origina     H2CO3
CaCO3 + H2CO3    origina     Ca2+ + 2(HCO3)-

ião cálcio e o ião hidrogenocarbonato são removidos em solução, deixando apenas impurezas insolúveis. Estas impurezas são avermelhadas devido à presença de óxidos de ferro, e, permanecem no local, preenchendo bolsas e depressões, denominando-se terra rossa, como se vê na figura.


(Imagem em - http://athirstyspirit.com/2011/07/20/australias-most-famous-soil/)





 Reações de hidrólise

São reações de meteorização que também envolvem água acidificada.

feldspato altera-se através do contacto com água acidificada originando caulinite, que é um mineral de neoformação

Este processo denomina-se caulinização.

2 KALSi3O+ 2 H2CO+ H2O origina    AL2Si2O(OH)+ 4 SiO2  + K+ + 2 HCO3-

O ião H+ substitui o K+ na estrutura do feldspato.




Agentes de Erosão, Transporte e Sedimentação
  • Gravidade
  • Vento
  • Água no estado líquido
  • águas de escorrência - se a precipitação ou o degelo forem muito intensos e se o terreno tiver declive. Podem formar-se chaminés-de-fada.
  • rios;
  • mares. 
A erosão provocada pelas águas dos rios designa-se por erosão fluvial. 

Quanto maior for o caudal e a inclinação do rio, maior será o seu poder de erosão.



Junto à foz do rio Âncora o declive e a velocidade da corrente são menores, pelo que se inicia um ambiente propício à deposição de sedimentos.





  • Água no estado sólido - glaciares

"O presente é a chave do passado"

Esta afirmação resulta do princípio do atualismo do pai da Geologia, James Hutton.
Para reconstruir paleoambientes é fundamental recorrer aos fósseis que eventualmente se encontrem nos estratos.
Os fósseis são restos de seres vivos ou vestígios de atividades biológicas tais como, ovos e pegadas (estes vestígios são considerados icnofósseis) preservados nas rochas.

Processos de fossilização - http://www.fossilpark.org.za/pages/animations.html#fossilization
BBC processos de fossilização - http://www.bbc.co.uk/nature/fossils#p00ckk6p


Exame Nacional 2009 1ª Fase, Grupo I


Princípios da estratigrafia

Estratigrafia é um ramo da Geologia, que se dedica ao estudo dos estratos sedimentares, com o objetivo de explicar como, e em que condições, se formaram esses estratos.


Os princípios da estratigrafia permitem também determinar a ordem relativa de eventos passados, sem necessariamente determinar sua idade absoluta. Assim, através da datação relativa é possível comparar a rocha que se analisa com outras, fazendo um friso cronológico.

Apesar da datação relativa só determinar a ordem sequencial em que uma série de eventos ocorreu, não quando eles ocorreram, continua a ser uma técnica útil, especialmente em materiais geológicos onde há falta isótopos radioativos.


  • Princípio da Sobreposição - Numa sequência não deformada de rochas sedimentares, o estrato mais antigo é o que se situa inferiormente, sendo as camadas supra-adjacentes sucessivamente mais recentes.




Se os estratos aflorarem, então durante algum tempo poderá haver interrupção da sedimentação e ocorrer erosão, formando-se deste modo uma superfície de descontinuidade. Devido à erosão verifica-se a ausência de estratos, denominando-se por lacunas estratigráficas.

  • Princípio da continuidade lateral - Ocorrem quando a formação de camadas sedimentares apresentam grandes extensões. Assim sendo, é possível relacionar cronologicamente colunas estratigráficas de estratos idênticos em dois locais afastados, desde que as sequências de deposição sejam semelhantes.
  • Princípio da Identidade Paleontológica - Estratos com o mesmo conteúdo fossilífero apresentam a mesma identidade e tiveram a sua origem em ambientes semelhantes.


  •  Princípio da Interseção - Estruturas geológicas (como intrusões ígneas ou falhas) que intersetam estratos são mais recentes do que estes.

  • Princípio da Inclusão - Um fragmento incorporado num outro é mais antigo do que este.


Animação com os princípios da estratigrafia


http://www.wwnorton.com/college/geo/egeo2/content/animations/10_1.htm
http://www.fccj.info/gly1001/animations/Chapter11/RelativeDatingV2.html


Exercícios

1. Ordena cronologicamente, justificando com os princípios da estratigrafia.
 
2. Ordena cronologicamente, justificando com os princípios da estratigrafia.


3. Exercício de escolha múltipla em inglês:


Reconstituição de paleoambientes



www.ig.uit.no/webgeology/webgeology_files/portuguese/geol_time_pt.html

NETXPLICA
Exame Nacional, 2009 2ª Fase, Grupo I









segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Sistemática dos seres vivos

 Sistemática


Taxonomia é uma ciência do ramo da Biologia que se dedica a classificar seres vivos segundo critérios definidos.
Sistemática é uma ciência, também do ramo da Biologia, mas mais abrangedora, pois inclui não só a Taxonomia, como também tem em conta a Biologia evolutiva, isto é, a filogenia dos seres vivos.


Imagem de http://nossobioma.blogspot.pt/2013/11/sistematica-filogenetica-slides.html
Carl Lineu é considerado o "pai" da taxonomia.


"Deus criou e Lineu classificou"


Imagem de https://www.algosobre.com.br/biografias/carl-lineu.html
Imagem de https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Systema_Naturae_cover.jpg

Livro onde Lineu pretendia fazer uma classificação hierárquica das espécies.

Classificações Biológicas

Classificações pré-lineanas

Práticas

Baseiam-se em necessidades humanas (por exemplo necessidades alimentares).
Ex: Distinguir as plantas sabendo se são ou não venenosas.

Racionais Artificiais

Baseiam-se num reduzido nº de características estruturais observadas nos seres vivos.
Ex: Classificações de Aristóteles.


Imagem de http://megaarquivo.com/sitemap.xml



Classificações pós-lineanas, mas pré-darwinianas

Racionais Naturais

Baseiam-se num elevado nº de características estruturais observadas nos seres vivos.

Este tipo de classificações são horizontais ou fenéticas, pois não têm em conta o fator tempo, nem a evolução das espécies.


Classificações pós-darwinianas

São classificações verticais ou filogenéticas ou filéticas.

Têm em conta o tempo ou seja as relações evolutivas dos seres vivos.



Exercício de classificações


Os cladogramas são esquemas que representam a classificação dos seres vivos tendo em conta as relações filogenéticas.





Classificações fenéticas e filogenética


Uma questão de ponto de vista

Classificação filogenética - as cracas e os caranguejos são crustáceos, estão mais relacionados um com o outro filogeneticamente, do que qualquer um deles com a lapa, que é um molusco.

(Imagem in:http://www.cientic.com/tema_classif_txt1.html)

Classificação fenética - as lapas e as cracas desenvolveram conchas conicas semelhantes através de evolução convergente, o que as liga em termos fenéticos.
(Imagem in:http://www.cientic.com/tema_classif_txt1.html)

Límulo

Artrópode conhecido como "caranguejo-ferradura" que está filogeneticamente próximo dos aracnídeos



Imagem em http://nead.uesc.br/arquivos/Biologia/modulo_7_bloco_2/unidade_invertebrados_2/apostila_arthropoda.pdf



Hierarquia das categorias taxonómicas



A hierarquia taxonómica foi proposta por Lineu. Este naturalista é considerado o "pai" da toxonomia e é autor do livro "Systema Naturae".


Os principais taxa (plural de táxon) são, regra geral, 7.

Do mais específico para o mais geral são considerados: espécie, o género, a família, a ordem, a classe, o filo e o reino.


Da espécie ao reino aumenta o número de organismos agrupados em cada nível taxonómico, mas o grau de parentesco entre eles vai diminuindo.

A espécie constitui a unidade básica de classificaçãopois é o único grupo taxonómico natural, uma vez que os organismos da mesma espécie se encontram isolados reprodutivamente dos indivíduos de espécies diferentes. Os restantes taxa são agrupamentos artificiais criados pelo Homem.


Regras da nomenclatura binominal

Nomenclatura é a atribuição de um nome a um ser vivo tendo em conta o Código Internacional de Nomenclatura Botânica e Zoológica.

Desvantagens da utilização dos nomes vulgares ou vernáculos

- São indefinidos.
Ex: Giesta amarela
São os Maios,no norte de Portugal

Variam de região para região.
Ex: Amendoim
Alcagoitas (Algarve)
Mancarra (Cabo Verde)
Ginguba (Angola)
Peanuts (Inglaterra)
Arachide (Francês)
Cacauetes (Espanha)

- Podem mudar com o tempo
Ex: Brassica oleracea, L.
Veizas na Iade Média, depois Veiças e Couves nos dias de hoje.
   
- A escolha dos nomes não obedecia a qualquer norma

O botânico Jonh Ray no séc. XVII desenvolveu a nomenclatura polinominal - constituída por uma longa sequência de nomes em latim.

Ex: Nepeta floribus interrupte spicatus pedunculatis (Nepeta com flores em espiga pedunculada ininterrupta). O nome era, ao mesmo tempo, a identificação e a descrição da planta.
Nome vernáculo: Erva dos gatos
Esta nomenclatura tinha desvantagens. Era muito longa, incómoda e não facilitava a comunicação.

Com a nomenclatura binominal é simplesmente Nepeta cataria.
Catnip flowers.jpg
(Imagem in:http://en.wikipedia.org/wiki/Nepeta_cataria)

Lineu inovou as regras da nomenclatura sendo considerado o pai da taxonomia.

Vantagens da utilização da nomenclatura binominal latina

- O latim era o idioma mais utilizado pela religião cristã e intelectuais dos sec. XVIII.
- Não mudava de região para região.
- É uma "língua morta", logo não evolui.
- É uma língua apátrida.
- Utiliza o alfabeto romano, que é o mais vulgar.
- É específica e exata.
- Com os binomes a nomenclatura tornou-se uniforme, definida e normalizada pelas Regras de Nomenclatura Internacional.

Regras da nomenclatura binominal

- 2 palavras em latim, a primeira inicia-se com letra maiúscula e a segunda com letra minúscula.

Rana esculenta Linnaeus, 1758


- Tem de sobressair do texto onde está inscrito. Em manuscrito tem de estar sublinhado.

Significado de Rana

- É o nome do género.
- É um nome.
- Sozinho, tem significado (rã em latim).
- Inicia-se com letra maiúscula.

Significado de esculenta

- É o restritivo específico ou epíteto específico
- É um adjetivo.
- Isoladamente não tem qualquer significado.
- Inicia-se com letra minúscula.

Na Sub-espécie, a nomenclatura é trinominal

Ex: Homo sapiens sapiens

Homo - Representa o nome genérico
sapiens - Representa o restritivo específico
sapiens - Representa o restritivo sub-específico


Exercícios
1. (Adaptado de: http://www.cocminas.com.br/arquivos/file/Exerc%C3%ADcios%20Extras%20de%20Taxonomia%20e%20Sistem%C3%A1tica%20-%203%20Colegial.pdf)

Carl von Linné (1707-1778), denominado Lineu, em Português, através de sua obra "Systema Naturae", propôs uma forma de denominar os seres vivos por intermédio do que chamou de "unidade básica de classificação" ou ESPÉCIE. Como exemplo, a ave conhecida popularmente como quero-quero é classificada, segundo o modelo de Lineu, como 'Vanellus chilensis'.


De acordo com esses conceitos, analise as afirmativas seguintes.



I. O nome específico de um organismo é sempre composto de duas palavras: a primeira designa o género e a segunda, a espécie.

II. O epíteto específico do quero-quero é 'chilensis' e o nome genérico é 'Vanellus'.

III. O nome específico do quero-quero é binominal, e 'Vanellus' é seu epíteto específico.

IV. O nome específico do quero-quero é binominal, e Chilensis, assim escrito, é seu epíteto específico.

V. A espécie Vanellus chilensis inclui o género seguido de seu epíteto específico: chilensis.



As afirmativas corretas são:


a) II e III.            b) IV e V.           c) II e IV.            d) I e III.               e) II e V.



Adaptado de:
http://www.cocminas.com.br/arquivos/file/Exerc%C3%ADcios%20Extras%20de%20Taxonomia%20e%20Sistem%C3%A1tica%20-%203%20Colegial.pdf)

2. Considera os quatro taxa seguintes.


1. Bufo dorbignyi                         2. Lystrophis dorbignyi
3. Didelphis albiventris                 4. Didelphis marsupialis

Relativamente aos quatro taxa, é correto afirmar que:


a) todos pertencem à mesma espécie.
b) há, entre os quatro taxa, apenas duas espécies diferentes.
c) os táxons 1 e 2 são de géneros diferentes, mas da mesma espécie.
d) os taxa 3 e 4 são de espécies diferentes, mas do mesmo género.
e) os taxa 1 e 2 são da mesma subespécie.


3. Seleciona o nome científico correto para o arroz é:

a) oryza sativa.         b) oryza Sativa.      c) Oryza sativa.         d) Oryza sativa.


4. Reescreve corretamente os seguintes nomes científicos:


a) felis CATTUS

b) solanum Tuberosum

c) Zea Mays

d) Rhea Americana Alba

e) gorilla Gorilla Beringei



5. Completa:


Dois seres vivos que pertencem à mesma família, também pertencem .....